Como município proponente, Santa Luzia sediará esta Sociedade. A área de abrangência incluirá toda aquela região com mesmo clima, vegetação semelhante, relevo com seus contornos típicos, suas famílias tradicionais, seus hábitos e costumes, composta pelos municípios de um Seridó histórico ainda reconhecido, a seguir enumerados e relacionados:
1 – Santa Luzia
2 – Junco
3 – São Mamede
4 – São José do Sabugi
5 – Várzea
6 – Ouro Branco
7 – Santana do Seridó
8 – Equador
9 – Florânea
10 – Parelhas
11 – Acari
12 – Cruzeta
13 – Carnaúba dos Dantas
14 – Currais Novos
15 – São Vicente
16 – Caicó
17 – Timbaúba dos Batistas
18 – Jardim do Seridó
19 – Jardim de Piranhas
20 – São João do Sabugi
21 – Frei Martinho
22 – São Fernando
23 – Ipueiras
Dos sócios somente será exigido saber ler e escrever, gostar dos temas propostos no título e ter afinidade com os objetivos da sociedade e não falar em política atuante.
O potencial cultural do Seridó é muito grande e de uma tradição que já vem do século XIX, principalmente no Rio Grande do Norte.
O modelo da Sociedade deverá, necessariamente, ser constituído de reuniões sobre temas pertinentes, com a participação, não obrigatória, mas com, pelo menos, parte dos sócios. Serão formadas equipes técnico-culturais, como por exemplo:
1 – Cultura Folclórica (aquela tão bem exposta por Câmara Cascudo);
2 – Tradições e Costumes Alimentícios – Culinária (Panelada, mangunzá, feijão macáçar com arroz da terra e milho, carne de sol emalada em jarras ou potes; queijos de manteiga engomados e guardados em jiraus; leite e coalhada; engenhos de rapadura, fabricação caseira de açúcar demerara, alambique rústico para fabricação de aguardente);
3 – Festas Tradicionais (religiosas, do Rosário, com tope do Juiz, da Padroeira, de São Sebastião; argolinha – Cavalhada, apartação com corrida de mourão, evolução para as vaqueijadas; Pastoril, missa do Galo, testamento do Judas, São João da roça iniciado em Santa Luzia em 1896 pelo Coronel Zé Ferreira Tavares e fixada posteriormente a partir de 1940 até os dias atuais, a mais antiga do Seridó);
4 – Cultura Econômico-social (agricultura, cultura do algodão Mocó, pecuária, mineração, fiação, comércio, indústria e serviços);
5 – Educação (evolução do ensino, da escola de D. Irene ao jardim da infância, o grupo escolar Coelho Lisboa, a escola do professor Manuel Otávio, com uso de palmatória, o Curso Normal, o Ginasial/Ciêntífico e finalmente as Universidades);
6 – Cultura Histórico-social e Política (abolição do cativeiro – Quilombos de Pitombeira e Talhado; queda da Monarquia/Proclamação da República; o voto de cabresto com a formação de listas de eleitores, quase sempre anônimos, modelo usado pelos coronéis, chefes políticos, no início do século XX; o perrepismo e a Aliança Liberal a coluna Prestes; a revolução de trinta, a morte de João Pessoa, o início da Ditadura Vargas, as intervenções na Paraíba, com perseguições políticas; a participação do Seridó com pracinhas na Segunda Guerra Mundial; a queda da Ditadura Vargas; a redemocratização com Dutra; a volta de Getúlio Vargas e seu suicídio em 1954; a campanha de 1950 com a volta de José Américo de Almeida envolvendo muita paixão; a era JK com candangos seridoenses na construção de Brasília; “Quem é o homem? O homem é Pedro!”; o domínio do verde no Rio Grande do Norte com o populismo de Aluízio Alves; a revolução militar de 1964, seus acertos e desacertos, atrasando a plenitude de um regime democrático de direito; a democratização com Tancredo Neves e Ulisses Guimarães.
Daqui pra frente já é muito forte a influência político-partidária atuante, com paixões escondendo e mascarando fatos históricos. A influência de até mais de 30 anos ainda é muito forte, podendo gerar discussões inconseqüentes e impertinentes inviabilizando os objetivos da sociedade.
7 – Genealogias das famílias Seridoenses (já existe muito trabalho escrito).
8 – Folguedos e Brincadeiras Infantis – Até pelo menos as décadas de sessenta e setenta, do século passado, ainda havia a preservação de muitas atividades passadas, reminiscentes do que era praticado por crianças no Seridó, especificamente no Sabugy.
Esta memória vem sendo paulatinamente destruída pela parafernália consumista, com a invasão de brinquedos chineses, baratos, bonitinhos e vagabundos, feitos para quebrar fácil, incentivando o consumismo da criançada que termina adquirindo um dos piores hábitos da sociedade atual! A atração que desperta, a facilidade de adquirir e novamente ganhar, tira totalmente o prazer de ele próprio inventar, procurar criar alguma coisa, construir, até comprar com sacrifício, como nós fazíamos!
As crianças de hoje, é bem verdade, limitadas pela violência, não brincam mais de “Barra Bandeira; jogar futebol com bola de meia em campos improvisados, nos terrenos mais ermos; de toca; de se esconder; caçar com baladeira, geralmente rolinhas; tomar banho nos açudes; pular da porta d`água; usar cavaletes de mulungu ou tambor, câmara de ar e até fazer balsas com troncos de bananeira e simular guerrilha usando bolas de lama, ninguém era vigiado!
Dependendo da época, soltar coruja, feitas com palitos de folhas de coqueiro, cola e papel celofane, geralmente pelos próprios meninos; soltar yoyô; currupio e peão feito de pau de goiabeira. E porque não falar dos caminhões de madeira com molas de aspas, direção com manejo, os melhores feitos por Joãozinho e Amauri de Antônio Chico! Na época do caju prevalecia o jogo de castelo e o de bolas de gude com três buracos, “me apele seu juiz”, dizia o réu depois de condenado pelo Promotor a levar dez bordoadas de palmatória, com força, reduza para cinco retrucava o Magistrado! E a palmatória “lepo”! Cavalo de pau de marmeleiro, geralmente com a casca trabalhada, simulando um pampa! De coisa mais moderna, às vezes ganhava-se uma bicicleta, mais primeiro tinha que aprender alugando a Deca. Cheguei a quebrar um braço, dia de feira, na tentativa de evitar o entre perna de uma velha, resultado derrubei a mesma e sofri o acidente.
Os jogos de futebol de botão, os meus feitos por mim, utilizando baquelite, fichas coladas, quenga de coco, chifre de boi... Ainda tenho o meu time do Vasco da Gama guardado!
O colecionismo, estampas de Eucalol, moedas e selos usados; revistas como Epopéia e Edições Maravilhosas, trazendo, em quadrinhos resumos dos melhores romances. Terminaram transferindo para os adultos parte destes hábitos tão saudáveis. Conservo todas as minhas coleções de criança!
Nas fazendas currais de gado feitos com ossos de “miunças”. E tudo aquilo nos davam orgulho pelo trabalho de na maioria terem sido feitas por nós! Este prazer que hoje não existe mais na criançada. A memória está sendo paulatinamente destruída. Alguém ou um grupo poderia tentar resgatá-la.
9 – Outros temas poderão ser propostos.
Estas equipes técnico-culturais serão, sempre, multi-municipais.
É interessante que os participantes das comissões temáticas e os demais sócios que se alinharem a elas, escrevam temas como artigos, inclusive para revistas e jornais; poesias; cordéis e livros relativos àqueles assuntos e isto é que vai dar vida e maior sentido à associação.
Seria essencial que parte da rede de instituições mais ligadas ao tema – bibliotecas, museus e outras entidades comprometidas com os objetivos almejados, em cada município que aderisse á proposta, fosse cadastrada e assumisse um compromisso participativo.
Por exemplo: Em Santa Luzia – Museu Jeová Batista, Café Cultura e Centro de Formação Musical Ernani da Veiga Pessoa.
Em cada município os sócios deverão assumir o compromisso de realizar esta etapa.
As reuniões regulares poderão ser feitas em todos os municípios, previamente acertadas com seus sócio-participantes. A maioria delas, no município sede.
As reuniões festivas, com exposições itinerantes, serão realizadas em locais previamente combinados – uma fazenda com tradição, uma mina com histórico, uma barragem com belezas naturais, locais para hospedagem, entre outras opções.
Não haverá cobrança de taxas dos sócios e cada um custeia suas despesas ou vai com algum companheiro.
De início serão convidados sócios e municípios, pelos dirigentes da sede, Santa Luzia, através de contato pessoal, por telefone ou internet. Posteriormente cada município participante, os quais também terão seus locais de reuniões, deverão implantar serviços de computação, para evitar o dos Correios e viagens desnecessárias. Relacionar os e-mails do maior número possível dos sócios. A partir disso, criar um “blog” ou um “orkut” da Sociedade para facilitar e promover um maior intercâmbio com troca de informações pertinentes.
Outras providências, como constituição de Diretoria da sede e tempo de mandato, poderão ser discutidas posteriormente, nas próximas reuniões.
Que prevaleçam sempre entre os associados, a amizade, a compreensão, a humildade e a vontade de servir. Críticas, quando houver, que sejam construtivas. Ninguém é dono da verdade! Evitar sempre impor vontade pessoal.
José Aderaldo de Medeiros Ferreira